Home Data de criação : 09/01/13 Última atualização : 12/04/29 19:45 / 141 Artigos publicados

O Piano  escrito em quarta 16 novembro 2011 22:37

Blog de historiasdeumapensadora :Histórias de uma pensadora, O Piano

Ela encontrou nele o seu melhor amigo. Todos os dias, a menina pegava o metrô e ia escondido na estação Tamanduateí tocar piano. Quando lá chegava, o lugar estava vazio e ele a chamava. Sua madeira polida, as teclas de marfim sempre prontas a receber seus dedos, os pedais posicionados perfeitamente para seus pés e aquele som. Uma única palavra: perfeito!

Ela sentava, fechava os olhos e deixava que a melodia a guiasse para longe. Num mundo onde ninguém a entendia, onde ela não podia ser apenas si própria, onde mais vale um corpo bonito que um cérebro inteligente, onde tinha de lutar para ter espaço, ser alguém, lá estava ele. Um piano tão sincero que não exigia nada dela, não perguntava nem julgava, só queria que alguém o tocasse retribuindo, assim, com uma amizade verdadeira. Todos os dias, a menina pegava o metrô e ia escondido na estação Tamanduateí tocar piano. E lá era mais feliz que nunca.

Pessoas vinham para ver. Alguns se emocionavam, outros se extasiavam, outros relembravam e ninguém saía sem sentir algo especial. Palmas no final da música, pedidos de mais. Ali ela era reconhecida. Todos os dias, a menina pegava o metrô e ia escondido na estação Tamanduateí tocar piano. Aquele era seu mundo particular, um sonho que vivia. Ali, os problemas sumiam, as preocupações iam dar uma volta e só sobrava alegria. Era como uma segunda vida. Como se renascesse a cada nota Lá para ser grande e não só mais uma mancha cinza na multidão. Ali ela brilhava e mostrava seu talento. Um talento tão natural quanto respirar. Era um segredo seu aquelas poucas horas em que brilhava e não abriria mão por nada.

Sim, todos os dias, a menina pegava o metrô e ia escondido na estação Tamanduateí tocar piano. Mas sempre chegava a hora de voltar para o mundo real. Ela descia a tampa de seu amigo, pegava sua bolsa e ia embora. Mas sempre antes de subir a escada, olhava para trás e pensava: "Até amanhã, meu amigo. Pode ter certeza de que eu volto...".

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Amizade, ou melhor dizendo, amor...  escrito em quinta 03 novembro 2011 22:28

Blog de historiasdeumapensadora :Histórias de uma pensadora, Amizade, ou melhor dizendo, amor...

A chuva caía do lado de fora batendo na janela em um ritmo contínuo. A rua estava vazia e o único som era o dos trovões. Mariana entrou ensopada em casa. Chorava. Seu coração era um mar de confusões e sentimentos perturbados. A luz no bairro havia acabado, seus pais não tinham chegado ainda. Agradecia a solidão, pois assim poderia pensar. A casa não estava ainda totalmente escura, mas, sim, daquele jeito mal iluminado de fim da tarde.

Mariana correu para seu quarto e trancou a porta. Sentou no chão e levou a mão aos lábios. Ele a havia beijado! Não era possível. E pior, ela havia gostado. Era mais que impensável, era pegar o mundo e virar de cabeça pra baixo. Como podia ser isso? Gostar de verdade de alguém o tempo todo e não perceber? Aquela pessoa que estava sempre ao seu lado, sendo amigo, ajudando, para, no final, você descobrir que ele sempre te amou e você a ele. Era loucura demais.

Mariana viu a cena mais uma vez e sentiu as sensações percorrerem seu corpo. Ela e o seu - como o chamaria agora? Namorado? Amigo -, enfim, o seu Rodrigo voltando para casa como sempre. Os dois riam e se provocavam. Ele a chamava de "Mari Mari" daquele jeitinho especial que ela tanto gostava. Começou uma chuva. Eles correram para se abrigar. Entraram debaixo do toldo de uma loja. Mariana encostou na parede, rindo. Rodrigo se aproximou.

Tudo aconteceu em câmera lenta. Mariana olhou para Rodrigo. Ele chegou bem perto, uma mão enlaçou Mariana pela cintura enquanto a outra tirava o cabelo molhado de seu rosto. Ela teve meio segundo para hesitar e recuar, mas não o fez. Os dois já estavam bem próximos, mas por um tempo Rodrigo não tentou nada. Limitou-se a olhá-la. Por quê? Acho que nem ele saberia responder. Talvez tenha esperado tanto que ficou inseguro de ir até o fim. Talvez estava se certificando de que pudesse avançar. A questão é que os dois ficaram esse tempo se olhando num semi-abraço. Quem visse de fora, ia dar risada, mas que importa? O importante são as pessoas que estão vivendo o momento.

Rodrigo finalmente beijou Mariana. Ela pensou que ia se sentir beijando o próprio irmão, mas não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, foi um beijo muito bom. Daqueles que se esquece o próprio nome, o tempo para e nada mais existe. Um beijo que se repetiu mais cinco vezes no caminho de casa. Quando Mariana chegou em casa, estava confusa e feliz. Tinha aceitado namorar seu melhor amigo quando, no dia anterior, nem sabia o que ele sentia de verdade. Mas junto da insegurança, veio a alegria e o amor.

Mariana se sentiu completa. Gostava, ou melhor, amava Rodrigo e não deixaria nenhum medo bobo acabar com a história que ali começara. Iria se arriscar e ver no que dava. Se arriscaria sua amizade, não sabia, mas era melhor do que viver a vida imaginando como poderia ter sido. Mariana levantou e olhou para janela, doida para saber onde iria dar.

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Uma história sobre amizade...ou quase isso...  escrito em quinta 20 outubro 2011 20:27

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Helena olhou a última vez para sua amiga e disse em voz alta o que estava pensando desde que aquela conversa começara:

-Você nunca vai me perdoar.

Rita, sua amiga, tentou se defender, mas Helena gritou:

-Dá pra ser sincera uma vez na vida? Por que, pelo menos uma vez, você não diz o que quer dizr ou o que sente de verdade? Eu sou sua melhor amiga e nem sei como você está.

-Você roubou meu namorado!

-Eu não roubei seu namorado! Ele se apaixonou por mim, mas desde o começo eu disse que nunca ia rolar nada entre a gente. Que culpa eu tenho se ele decidiu terminar com você do mesmo jeito?

Rita levantou do sofá e disse:

-Quer saber mesmo qual é o problema?

-Claro.

-O problema é que você sempre é melhor que eu em tudo!

Helena já ia interromper furiosa, mas a voz de Rita foi mais forte:

-Fica quieta! Você escolheu ouvir e vai ouvir até o fim! Senta nesse sofá e cala a boca!

A menina obedeceu e Rita começou a despejar tudo que tinha dentro da alma. Era possível sentir que as palavras vinham do interior do coração:

-A minha vida inteira você sempre esteve um passo à frente. Sempre a mais inteligente, mais bonita, mais alegre, mais divertida. E eu? Sempre fui a sombra, a melhor amiga. Eu aceitei numa boa porque te amava e sua amizade era mais importante que tudo para mim. Por mais que eu quisesse brilhar, ficava quieta enquanto você me ofuscava. Sempre foi assim! Mas teve uma coisa, uma única coisa, que eu queria muito mesmo. A única coisa que eu pedi para você deixar eu ser melhor. E era ter o amor do meu namorado. Eu amava ele de verdade, mas mais uma vez fui ofuscada pelo seu brilho. Ele escolheu você, como todo mundo. Foi a gota d'água. Não posso mais viver sendo sua sombra.

-E o que você quer? Que eu deixe de ser eu mesma?

-Não e nenhum momento te pedi isso. O que eu preciso é de espaço pra ser eu mesma, para os outros me verem. Não consigo mais viver sempre atrás de você.

-Você quer que eu me afaste de você?

Helena não conseguiu acreditar no que estava ouvindo. Que culpa tinha se ousava mais que a amiga? Não queria perdê-la daquele jeito.

-Não acredito que você quer acabar com nossa amizade por besteira.

-Eu não quero acabar com nossa amizade. Eu só preciso de um tempo pra pensar e, se você gosta de mim de verdade, vai aceitar. Não precisa nem entender, só aceitar.

Helena se levantou a já ia indo embora quando disse:

-Eu nunca pensei que você se sentisse assim. Desculpa, mas eu nunca percebi.

-Você não tem culpa de nada. Só estava sendo você mesma.

As duas amigas ficariam semanas sem se falar, mas, mais tarde, ririam de tudo aquilo. Tudo voltaria a ser como era antes, com a diferença de que uma não seria mais a sombra da outra. Pois uma amizade, quando verdadeira, não acaba no menor e nem muitas vezes no maior dos problemas. Em vez disso, adapta-se com o tempo e só se solidifica mais e mais...

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Frase do dia (15/10/11)  (Frases do dia) escrito em sábado 15 outubro 2011 14:42

Blog de historiasdeumapensadora :Histórias de uma pensadora, Frase do dia (15/10/11)

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

(Fernando Pessoa)

 

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Fim do Desejo  escrito em sexta 02 setembro 2011 04:51

Blog de historiasdeumapensadora :Histórias de uma pensadora, Fim do Desejo

Acabou aquele desejo ardente

Que não saía, nem por um só segundo, da minha mente

Que me consumia noite e dia

E você mal sabia

 

Ai, como te quis

Mas sei que não seria feliz

Agora me libertei

E você não saberá o quanto te desejei

 

Estou livre para amar

E você estará lá

Me apoiando e dizendo: "vá"

Enquanto de tudo não vou lembrar

 

Estou livre para ser feliz

Para ter o que sempre quis

Um companheiro

Não proibido, um amor verdadeiro

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